quinta-feira, 16 de abril de 2026

Esgoto a céu aberto na ribeira da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo


 


Inaceitável esgoto a céu aberto na ribeira da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo

 

Em 2004, a associação ecológica Amigos dos Açores denunciou a presença de águas poluídas por esgotos na foz da ribeira da Ribeira Seca, em Vila Franca do Campo. Na altura, a Câmara Municipal informou que iria “providenciar no sentido da sua resolução, estando a respetiva intervenção programada no âmbito do próximo plano”.

 

Volvidos quase 22 anos, uma visita ao local permitiu constatar que a ribeira continua significativamente poluída, recebendo águas provenientes de um esgoto ali canalizado. A persistência desta situação é motivo de séria preocupação: para além dos maus odores, a presença de águas contaminadas num curso de água favorece a proliferação de vetores de doenças e representa um risco evidente para a saúde pública e para o ambiente.

 

A gravidade é acrescida pelo facto de estas águas desaguarem na denominada Praia da Leopoldina, colocando em causa a qualidade balnear e a segurança dos utilizadores.

 

Face a este cenário, o Núcleo Regional dos Açores da IRIS – Associação Nacional de Ambiente exige uma intervenção urgente por parte da Junta de Freguesia da Ribeira Seca da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, da GNR-SEPNA e da Direção Regional do Ambiente no sentido de porem termo a esta situação inaceitável e salvaguardar a saúde pública e o equilíbrio ambiental.

 

Açores, 14 de abril de 2026

 

P’lo Núcleo Regional dos Açores da IRIS-Associação Nacional de Ambiente

 

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Moinhos

 




Moinhos da Ribeiira Seca de Vila Franca do Campo: o passado (daqui: https://www.facebook.com/AcoresQuaseEsquecidos) e o presente /21 de outubro de 2024)

domingo, 17 de dezembro de 2023

Burro é o professor


Burro é o professor

Ao Paulo, que recentemente faleceu

Estávamos quase no ocaso do Estado Novo, os professores do Externato de Santa Luzia ou eram padres ou professores primários. Um deles acumulava funções, isto é, para além de professor primário, era Presidente da Câmara Municipal de Vila da Granja, e no externato lecionava Matemática e Inglês.

Autoritário quanto baste, nas suas aulas o que mais fazia era humilhar alguns alunos, sem exceção, não poupando a própria filha que era tratada abaixo de cão.

Não me recordo o que pretendia o professor na aula de inglês, mas a questão era mais ou menos a seguinte: És um extraterrestre? A resposta seria: sim, tenho a certeza de que sou um extraterrestre ou não, tenho a certeza de que não sou um extraterrestre.

Depois de ter feito a pergunta a vários alunos que responderam mais ou menos bem, chegou a vez de um que tinha muitas dificuldades na disciplina de Inglês:

- Paulo, és um burro?

O Paulo que não sabia o significado da palavra burro (donkey), respondeu: Sim, tenho a certeza de que tu és um burro.

Ia caindo o Carmo e a Trindade, o professor levanta-se da secretária, chega ao pé do aluno dá-lhe uns empurrões e começa numa gritaria, onde não faltaram insultos vários.

Há quem tenha saudades daqueles tempos. Eu não! Apenas recordo com alguma nostalgia a minha infância e juventude, na escola e fora dela.

Se alguém notar alguma semelhança entre alguns factos e pessoas talvez não seja mera coincidência.

Pico da Urzelina, 18 de dezembro de 2023

José da Courela

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Milho-de-vassoura

Milho-de-vassoura

Ao fazer limpezas na cave da minha casa, encontrei uma vassoura que foi feita por meu pai, Teófilo de Braga (1925-1991), na nossa casa, na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, há cerca de 35 anos.

Lembro-me que anualmente meu pai semeava milho-de-vassoura com o único objetivo de fazer vassouras para serem usadas em casa e algumas poucas para venda.

Com a evolução da sociedade, as vassouras feitas a partir do milho-de-vassoura caíram em desuso, sendo substituídas por outras artificiais e hoje já não é muito comum observar nos campos aquela planta.

O milho de vassoura ou sorgo (Sorghum bicolor (L.) Moench) é uma planta pertencente à família Poaceae, originária da África subsaariana. Existindo vários tipos de milho de vassoura, dependendo do fim principal a que se destinam (granífero, sacarino, vassoura e forrageiro), a variedade cultivada na ilha Terceira era, segundo Orlando de Azevedo, a technicum.

O milho-de-vassoura é uma planta anual que pode crescer até 2 metros, com caules fortes e lenhosos com folhas longas e estreitas. As suas inflorescências desenvolvem-se no topo da planta, originando após polinizadas panículas, cuja palha é usada no fabrico das vassouras.

A nível mundial o sorgo é, depois do trigo, do arroz, do milho e da cevada, o quinto cereal mais cultivado no mundo.

O milho-de-vassoura é usado para a alimentação humana em vários países do Sul de África, da Ásia e da América Central e para a alimentação de animais nos Estados Unidos da América, na Austrália e na América do Sul.

No Brasil, a planta foi introduzida pelos europeus e espalhou-se por todo o território, dando origem a uma indústria de fabrico de vassouras que floresceu até ao aparecimento de fibras sintéticas.

Orlando de Azevedo, já citado, num texto intitulado “A cultura do milho vassoura na Ilha Terceira”, publicado no nº XI do Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, escreveu que se tratava de uma “cultura bastante rendosa, e com possibilidades de incremento se o mercado continental for devidamente alargado”. Segundo ele, a principal utilização que valoriza o milho-de-vassoura era o fabrico de vassouras, mas as sementes também serviam de alimento para as galinhas e os porcos. O milho de vassoura também era muito útil como “abrigo a outras culturas mais delicadas, como são as hortícolas.”

Na ilha Terceira, a sementeira era feita na Primavera, a germinação ocorria passados 8 a 10 dias, era sachado em maio, junho e julho e a colheita era feita em setembro ou no início de outubro.

Depois de cortado três palmos abaixo da extremidade era seco e depois ripado para separar a semente do espigo. A parte restante da planta servia como forragem e era usado como combustível para os fornos.

Sempre com recurso ao texto referido, fica-se a saber que na ilha Terceira existiam várias oficinas para manufatura de vassouras.

Para além de serem consumidas na ilha, eram enviadas pequenas quantidades de espigo e de vassouras para as outras ilhas do arquipélago dos Açores e para Portugal continental.

Na minha casa, não me recordo de ser dado qualquer uso às sementes, para além de serem guardadas para serem utilizadas no ano seguinte, mas, no que diz respeito a vassouras havia autossuficiência.

Pico da Pedra, 24 de novembro de 2023

Teófilo Braga