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sábado, 10 de agosto de 2013
Eleições autárquicas
Pela primeira vez, uma lista de cidadãos independentes dos partidos políticos concorre às eleições autárquicas em Vila Franca do Campo.
O primeiro candidato à Assembleia Municipal é Teófilo José Soares de Braga, professor. Para a Assembleia Municipal a lista apresenta 28 candidatos, sendo 39% do sexo feminino, os quais têm uma média de idades de 40 anos. Das mais diversas áreas profissionais, na Assembleia estarão presentes professores, aposentados, estudantes, padeiros, agricultores, pedreiros, empregados comerciais, etc.
Reginaldo Pacheco de Andrade, engenheiro electrotécnico lidera a lista candidata à assembleia de freguesia da Ribeira Seca que é constituída por 10 elementos, sendo 40% do sexo feminino.
Pela primeira vez, também, concorrem à Assembleia de Freguesia quatro listas. Para além da independente concorre o PSD com Emanuel Medeiros, o PS com Dinarte Sardinha e a CDU com Dalila Borges.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Candidato-me
RAZÕES DA MINHA CANDIDATURA
Nasci na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo no seio de uma família de camponeses e lavradores. Vivi a minha infância e juventude num meio bastante humilde, onde a pobreza extrema afetava algumas famílias que foram obrigadas a emigrar em busca de uma vida melhor.
Com 17 anos assisti ao 25 de Abril que para além de ter determinado o fim de um regime autoritário terá suscitado a esperança de uma vida melhor para todos. Na altura pensava que os partidos políticos representavam diferentes classes, estratos sociais ou ideologias políticas e que cada um à sua maneira procurava o melhor para o país.
Pertenci a partidos políticos, colaborei com outros na minha qualidade de independente, nas eleições autárquicas votei na esquerda, no centro ou na direita, dependente dos respetivos candidatos e neste momento encontro-me completamente desiludido, pois cheguei à conclusão de que os partidos servem essencialmente os seus dirigentes, que para além de procurarem protagonismo, servem-se do poder para encontrar soluções para os seus problemas pessoais, os da sua família ou os dos seus amigos.
Hoje, dou a cara por uma candidatura independente à Assembleia Municipal de Vila Franca do Campo, porque acho que a democracia, mesmo a representativa, não deve nem pode ser exclusiva dos partidos que pela sua ação encontram-se desacreditados.
Também dou a cara por Vila Franca do Campo porque considero que o concelho merece uma melhor gestão, ao serviço dos munícipes e não dos caprichos de alguns.
Por acreditar que a democracia só existe se houver a participação efetiva de todos em tudo o que diz respeito à causa pública e como estou desiludido com todos os que se dizem meus representantes, candidato-me, numa lista de independentes à Assembleia Municipal de Vila Franca do Campo, na certeza de que não quero representar ninguém, mas sim ser a voz de todo os que me fizerem chegar as suas preocupações e os seus anseios.
Vila Franca merece melhor.
ALGUNS DADOS BIOGRÁFICOS
- Nasceu na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, onde frequentou a respetiva Escola do 1º Ciclo.
- Frequentou o Externato de Vila Franca, tendo sido o melhor aluno do 5º ano (atual 9º ano), no ano letivo 1972-1973.
- É bacharel em Ciências Físico- Químicas/ Matemática, pela Universidade dos Açores.
- Possui o Curso de Estudos Superiores Especializados em Administração Escolar (equiparado a Licenciatura) pelo Instituto Superior de Educação e Trabalho do Porto.
- É mestre em Educação Ambiental, pela Universidade dos Açores.
- Exerceu o cargo de Vice- Presidente do Conselho Diretivo da Escola Secundária das Laranjeiras.
~Foi presidente do Conselho Executivo, do Conselho Pedagógico e da Assembleia de Escola da Escola Secundária da Ribeira Grande.
- É professor de Física e Química na Escola Secundária das Laranjeiras.
- Foi diretor da Agência Regional da Energia da Região Autónoma dos Açores.
- Foi presidente da direção da Cooperativa de Consumo do Pico da Pedra.
- Foi presidente dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica.
- É membro de várias associações de defesa do ambiente e dirigente de associações de Protecção dos Animais.
- É autor e coautor de diversas publicações nas áreas da energia, do ambiente e do pedestrianismo, de que se destacam alguns roteiros de percursos pedestres no concelho de Vila Franca do Campo.
- Proferiu diversas comunicações em conferências e workshops, algumas das quais promovidas pelas Escola EBI de Vila Franca do Campo e Escola Profissional de Vila Franca do Campo.
- Na qualidade de membro dos Amigos dos Açores foi um dos redatores da proposta de classificação das Lagoas do Congro e dos Nenúfares como áreas protegidas.
- Foi e é colaborador de várias revistas e jornais, entre os quais A Vila, Terra Nostra e Correio dos Açores.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Democracia moribunda também na Ribeira Seca
Democracia moribunda
1- A escola não educa
Durante grande parte da minha vida, acreditei que com o tempo a democracia, instaurada com o golpe militar de vinte e cinco de Abril de 1974, se aperfeiçoaria, que as gritantes desigualdades económicas e sociais se esbateriam e que a escola seria um dos principais instrumentos para a concretização do sonho de uma vida melhor para todos os seres humanos.
Hoje, passados trinta e nove anos, a minha desilusão é total e, tal como muitas outras vozes que se têm manifestado, considero que a democracia representativa está esgotada, que os partidos políticos, sem exceção, estão desacreditados, que os cidadãos foram lenta e progressivamente levados, pelas elites que nos têm governado, à apatia e ao descrédito.
Os partidos políticos que deveriam representar classes sociais, correntes de opinião ou ideologias políticas descaracterizaram-se e hoje parecem-se mais com autênticos sacos de gatos, de várias cores e raças, juntos quase e tão só para satisfazer clientelas e para promoção pessoal de dirigentes, de familiares e amigos chegados.
A escola com as diversas disciplinas que vai tendo, como Desenvolvimento Pessoal e Social, Educação para a Cidadania, etc. poderia ter dado um contributo para fazer com que a democracia representativa deixasse de ser apenas a rotina periódica de votar ciclicamente em pessoas que por vezes não têm quaisquer escrúpulos em prometer o que não podem cumprir, em não ouvir as pessoas que dizem representar e em “roubar” o dinheiro de todos os contribuintes.
Mas, ao contrário do que seria de esperar a escola pouco fez ou faz porque mais não é do que o reflexo da sociedade e, se tal como sem ovos não se fazem omeletes, também sem democratas convictos não se pratica a democracia. Basta estarmos atentos aos acontecimentos dos últimos tempos para percebermos que maus exemplos são transmitidos pelas escolas, desde associações de estudantes que são correias de transmissão, a tomadas de posição de órgãos de gestão, que a comunidade escolar toma conhecimento pelos órgãos de comunicação social, até à existência de um órgão, a Assembleia de Escola, que não ausculta a opinião da comunidade educativa e que não presta contas do seu trabalho a ninguém.
2- As eleições autárquicas em contexto de deseducação
Embora descrente, pois sinto que os meus representantes nunca cumpriram com o que deles esperava e não querendo ser representante de ninguém, decidi envolver-me nas próximas eleições autárquicas,
Pelos contatos que tenho tido com conhecidos e desconhecidos, tenho-me apercebido de que, a par de um desinteresse generalizado por parte da grande maioria que não acredita em ninguém, há pequenos grupos de pessoas que agem como se os partidos políticos fossem clubes de futebol ou, pior do que isso, fossem agências de emprego.
No que se refere a candidaturas ou candidatos, é possível assistir a um pouco de tudo, de modo que a participação numa determinada lista não depende dos projetos ou das ideologias das forças partidárias, mas dos previsíveis ganhos pessoais que possam ser alcançados para si ou para familiares, dos conflitos pessoais tidos com os cabeças das listas por que concorreram em eleições anteriores ou mesmo pela ordem por que foram convidados.
Sobre este último ponto, convém esclarecer que as pessoas disponíveis são muito poucas pelo que muitas delas já receberam convites por parte de todas as candidaturas já anunciadas e de outras que irão surgir em breve, pelo que, estando as cabeças vazias de projetos e de vontade de servir o bem comum, o critério para a sua participação é o de aceitar o primeiro convite que receberam.
A propósito de bem comum, parece que é objetivo que anda completamente arredado da cabeça de muitos. A título de exemplo, conheço um candidato a presidente de uma junta de freguesia que contatado por uma outra lista, depois de agradecer o convite e de mostrar que se sentia honrado com o mesmo, declarou que já havia sido abordado por outros, mas que estava à espera de saber o teor do convite (ou melhor que cargo lhe seria oferecido), pois considerava que já havia sido presidente da respetiva junta mas que a freguesia era muito pequena pelo que o projeto não o motivava.
Como a pessoa referida surge como primeiro candidato à assembleia da freguesia em causa, fico, sentado, à espera de saber que outra oferta lhe terá sido feita.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 2847, 17 de Junho de 2013, p. 13)
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