domingo, 13 de maio de 2018
quinta-feira, 10 de maio de 2018
Agostinho da Silva e as festas do Espirito Santo
Agostinho da Silva e as festas do Espirito Santo
O culto do Espírito Santo foi trazido para os Açores pelos primeiros povoadores portugueses, tendo sido depois levado, pelos açorianos, para os quatro cantos do mundo, nomeadamente para o Brasil e para a América do Norte.
Para a maioria da população dos Açores, creio, a Rainha Santa Isabel (1271-1336) é tida como a responsável pela criação das festividades e culto do Espírito Santo em Portugal.
O etnógrafo micaelense, natural de Vila Franca do Campo, Padre Manuel Ernesto Ferreira, no seu livro “ A alma do povo micaelense”, apresenta a hipótese do nascimento das festas em Coimbra ou em Alenquer, mas liga-as sempre à Rainha Santa Isabel, como se comprova pela seguinte frase: “O que parece mais provável é que a Rainha Santa, à imitação do que se fazia talvez em Espanha ou na Alemanha, instituísse a comovente solenidade em várias localidades, em anos em que acontecesse achar-se nelas no domingo de Pentecostes”.
O historiador Jaime Cortesão (1884-1960), citado por Maria Cabral e por Maria Nunes no seu texto “Contributos para o Estudo das Festividades Populares em Louvor do Divino Espírito Santo no lugar do Penedo (Colares-Sintra) sem por de parte o papel da Rainha Santa Isabel defende que a origem das festas do Espírito Santo deveu-se “a franciscanos, de tendência espiritual, e que a rainha [Isabel] a quem aquele culto de família e as cerimónias próprias lisonjeavam o tenha favorecido”.
Agostinho da Silva (George Agostinho Baptista da Silva), filósofo nascido no Porto, em 1906, que faleceu em Lisboa em 1994, não contraria Jaime Cortesão, tendo sobre o assunto escrito o seguinte: “… é a do Culto Popular do Espírito Santo, afirmando em pleno durante duzentos e cinquenta anos, desde Isabel a Dom João III, sobrevivendo como pode no Continente, enraizado ainda nas Ilhas e em seus focos de imigração, passado, e nela igualmente radicado, a tanta localidade brasileira desde o XVI por diante”.
Agostinho da Silva que terá tido contato com as festas do Espírito Santo no Brasil, país onde viveu, entre 1944 e 1969, depois de ter estado preso um mês na prisão do Aljube não escreveu sobre o que observou, mas terá idealizado o que deveria ser o “culto popular do Espírito Santo” que segundo ele “é a religião viva dos Açores, tão viva que me parece que a obrigação essencial dos açorianos deveria ser a de irem pelo mundo como missionários do seu culto”
Nas festas do Espírito Santo, há três componentes, a coroação, o bodo e a libertação de presos. Com efeito, segundo Agostinho da Silva, “o que o Povo diz no seu mais autêntico e espontâneo Culto é que devam as Crianças a governar o mundo, como afinal defendia Cristo; que deve o que se consome de básico ser abundante e gratuito, como nas Bodas de que fala o Evangelho, multiplicando-se o Pão; que se devem abolir as prisões, como ordena o “Não julgueis”.
No seu texto A Educação de Portugal, Agostinho da Silva relembra as várias componentes do culto e destaca uma delas. Assim, segundo ele “o ponto fundamental, do culto popular do Espírito Santo não é, porém, nem o banquete comum e livre, nem o soltar de presos, nem a procissão que segue a Pomba, no estandarte ou coroa; é a instalação de uma criança como Imperador do mundo” e acrescenta “No Paraíso terrestre que se quer dispensam-se os adultos de todas as funções dirigentes que têm tido até hoje e se declara mais importante que tudo quanto possa ter sido na vida o menino que foram e tão infelizmente morreu; declara-se que todos os imperadores de qualquer Império declarado Santo pela vontade, os interesses e os apetites dos homens, devem ceder seu trono às características infantis de atenção contínua à vida, de existência total no presente, de ignorância de códigos, manuais e fronteiras, de integração no sonho, de valorização do jogo sobre o trabalho, de simpatia pela cigarra, que logo a nossa escola substitui pelo aplauso à formiga, já que uma convém à alegria, apenas, e a outra ao lucro”.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31517, 10 de maio de 2018, p. 14)
domingo, 22 de abril de 2018
terça-feira, 6 de março de 2018
Cortejo de Oferendas a favor do Salão Paroquial em 1969
Cortejo de Oferendas a favor do Salão Paroquial em 1969
No dia 16 de novembro de 1969 realizou-se, em Vila Franca do Campo, um cortejo de oferendas a favor da construção do Salão Paroquial da paróquia de São Miguel. Para o efeito foram criadas várias comissões que se responsabilizaram pela organização do cortejo em determinadas ruas da freguesia.
Na Ribeira Seca existiram as seguintes três comissões:
Rua da Grota dos Novais, Calçada, rua do Jogo e Rua da Palmeira, constituída pelo prof. José Cabral, José Santo Cristo Verdadeiro, António Rocha de Andrade, Manuel Carreiro, Manuel Medeiros Bolota, Mário Roberto de Oliveira, Daniel de Jesus Couto, José de Sousa, Teófilo Braga, Floriano Soares, José Jacinto de Andrade, José de Lima Carvalho, José Soares do Rego, José da Costa Pacheco, José Joaquim Dias Marques, Arcádio Teixeira de Sousa, José Furtado Brum e José de Sousa Batata.
Rua do Arco, Rua da Cruz Formosa, Moinhos e Rua Nova, constituída por João Jacinto Batista, Manuel Pacheco Toste, José Inácio Carreiro, José Furtado Braga, João Norberto Salema, Albino Raposo de Amaral, Manuel da Costa Pacheco, Manuel de Lima Carvalho, Viriato Madeira da Ponte, Dinis Furtado Brum, Manuel da Costa esteves, José de Lima Carvalho Jr., Lino Pacheco dos Santos, Miguel Furtado Lima, João da Costa Pacheco, Manuel Pimentel Calouro e Jeremias de Medeiros Verdadeiro.
Rua da Cruz à Ribeira, Além da Ponte, Calçada do Caminho Velho, Caminho do Mato e São João, que era composta por Manuel Furtado Garoupa, António Furtado Braga, Manuel Pacheco Henrique, Artur Gabriel Couto, João José Sardinha, Virgínio Carlos Sardinha, Manuel Luís da Mota Sardinha, Álvaro José Sardinha, Ângelo José Verdadeiro, José da Pedra Correia, Manuel de Sousa batata Jr., Miguel de Lima Carvalho, Manuel Verdadeiro, Miguel Camelo e José do Santo Cristo Correia.
De acordo com o jornal “A Vila”, os resultados obtidos excederam todas as espectativas. Com efeito, o cortejo “bateu o recorde a todos os seus anteriores pelo valor em dinheiro que recolheu: - 40 000 $00”. O mesmo jornal estimou o valor total das oferendas em cerca de sessenta contos, tendo enaltecido o facto, “atendendo ao meio pobre em que tal importância foi recebida”.
Pico da Pedra, 6 de março de 2018
Teófilo Braga
segunda-feira, 5 de março de 2018
sábado, 3 de março de 2018
Gente da nossa terra
João Cação, Carlos Catana, António José Pacheco, João Furtado Brum, José de Melo Pacheco década de 70 a
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
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