Notas
para a história da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo
A
Ribeira Seca é a mais recente freguesia do concelho de Vila Franca do Campo,
apesar da localidade ter sido habitada desde os primeiros tempos do povoamento
da ilha de São Miguel.
Sem
tempo para aprofundar os assuntos, neste texto vou divulgar um conjunto de
episódios que ocorreram na Ribeira Seca ao longo dos tempos, na esperança de
que alguém mais jovem e com outra formação se interesse pelo assunto e elabore
uma monografia da localidade.
Desconhece-se
a data da construção da Ermida de São João, sabendo-se que é anterior a 1522,
data em que um “terramoto” soterrou parte de Vila Franca do Campo.
Em
1808, caiu uma pedreira na Ribeira Seca, tendo falecido duas pessoas, uma delas
Arsénio de Sousa Batata.
Tal
como aconteceu com a sede do concelho, a Ribeira Seca foi uma das primeiras
localidades de São Miguel a possuir iluminação elétrica, o que aconteceu em
1901.
Em
1906, o jornal “O Autonómico” noticiava a construção de um fontenário na Rua da
Cruz. Segundo o jornal tratava-se de um “melhoramento necessário e de máxima
utilidade para os moradores d’ali e imediações”.
Em
1920, por decisão do presidente da Câmara Municipal, José Bento de Melo, foi
criada, na Ribeira Seca, uma comissão encarregada de combater a peste bubónica
através da desratização e saneamento geral. A comissão era composta por Manuel
Carreiro Braga, António de Medeiros Agostinho e Jacinto Furtado Vinhateiro. Na
altura, por cada rabo de rato grande entregue, o portador recebia 125 reis, o
mesmo acontecia por dois rabos de ratos pequenos.
Em
1922, foi aberto um talho de carne de vaca. Hoje, não existe nenhum.
Tal
como aconteceu noutras localidades, em 1925 e 1926, a peste bubónica causou
numerosas vítimas na Ribeira Seca.
Em
1929, caiu uma “bomba de água” que felizmente não causou prejuízos, o mesmo
tendo ocorrido no local da Praia.
O
primeiro telefone foi instalado na Ribeira Seca, em 1930, e deveu-se à iniciativa
do comerciante José Matias de Andrade. O Autonómico referiu-se ao evento, nos
seguintes termos: “O melhoramento é de importância para aquele lugar, pela
utilidade que lhe traz, sendo por isso caso para felicitarmos os seus
habitantes”.
Em
1931, uma chuva torrencial fez com que a ribeira trouxesse tanta água que
inundou os terrenos circundantes e provocou grandes prejuízos num moinho, tendo
os seus moradores corrido perigo de morte.
O
antigo edifício escolar, situado na Calçada, começou a ser utilizado em 1934.
Em
1938, a Ribeira Seca possuía uma equipa de voleibol, o São Miguel. Para além
daquele clube, também existiu na localidade outra esquipa de voleibol, o
Ribeirense.
Em
1939, começaram os trabalhos de abertura da variante da estrada que atravessa a
Ribeira Seca.
A
atual escola do primeiro ciclo, ameaçada de fechar as portas, construída ao
abrigo do Plano dos Centenários, começou a funcionar em 1962 e o nicho com a
imagem de Nossa Senhora da Conceição foi inaugurado em 1966.
Em
1964, a Câmara Municipal recebeu 50 500 escudos por parte do Ministro das Obras
Públicas, como comparticipação relativa “à execução dos trabalhos de construção
do caminho municipal entre a Ribeira Seca e a Lagoa do Fogo”. Felizmente, para
a conservação da natureza, o caminho nunca chegou ao fim.
Em
1971, o vento derrubou um carvalho, propriedade do senhor Arcádio Teixeira.
Para o serrar e carregar foi empregado o trabalho de 66 homens e para o
transportar foram necessárias 14 furgonetas e 2 camiões de oito toneladas.
Em
1975, foi a Ribeira Seca, através dos professores da sua escola, que não deixou
que a comemoração do São João fosse esquecida. Naquele ano, três marchas
desfilaram no recreio da escola do primeiro ciclo.
Teófilo
Braga
(Correio
dos Açores, nº 2894, 11 de Setembro 2013, p.16)
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