segunda-feira, 26 de julho de 2010

Lixos, Furto e Droga detactados a 17 de Julho de 2010


Foi encontrada uma plantação de canabis. Foi apresentada denúncia na PSP de Vila Franca do Campo.


Cerca de 20 tábuas que estavam a separar a propriedade foram furtadas.


Este despejo de resíduos tem a particularidade de se encontrar em terreno privado, tendo o seu proprietário encontrado, a acompanhar a "mercadoria", uma guia de transporte de um conhecido comerciante de fruta da localidade. Foi apresentada queixa no SEPNA.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

No tempo em que as vacas comiam erva



Há dias li que de 30 a 50% do alimento que é utilizado pelos lavradores açorianos para manter o seu gado bovino é importado. Longe vão os tempos em que aquele era apenas proveniente das pastagens e do chamado “outono”, mistura de tremoceiros, faveiras, cevada ou aveia, se não estou em erro.
Naquele tempo, década de sessenta e início da de setenta do século XX, não se imaginava que o leite seria vendido em embalagens com a forma de um paralelepípedo. Durante largos anos eram os próprios lavradores que faziam a distribuição do leite pelos seus clientes porta a porta ou o colocavam numa mercearia que fazia a distribuição pelos seus fregueses.
Meu avô, Manuel Soares, morador na Ribeira Seca, muito antes do aparecimento das fábricas transformadoras do leite, colocava-o numa loja na Vila e ao fim do dia, quando o dono da mesma não o vendia era obrigado a recolhê-lo. Como ultrapassava o necessário para a família, era obrigado a usá-lo na engorda do porco que mantinha no curral.
Não presenciei os factos referidos no parágrafo anterior, mas assisti à fase da distribuição pelos vizinhos. Assim, lembro-me muito bem que parte do leite que as suas vacas produziam era colocado na Lacto Açoreana, fábrica existente na Ribeira Grande, e a outra, mais pequena, era para consumo próprio e para vender a alguns vizinhos, como os irmãos Maria e João Amaral e a Maria José “Maurício”.
Se hoje há quem se esforce para demonstrar que o leite dos Açores é de boa qualidade e que tem propriedades especiais, por volta de 1964, dizia-se que o leite cru, bebido logo após ter sido tirado, era remédio santo para a bronquite. Não tenho conhecimentos para confirmar ou não tal afirmação, mas uma coisa é certa, depois de beber o leite proveniente das vacas dos pais do meu ex-colega e amigo, emigrado no Canadá, António Paulo Carreiro, deixei de me apoquentar com a bronquite que me atacava desde a mais tenra idade.
Outra nota digna de registo é que o estábulo das vacas que me “curaram” a bronquite ficava no quintal de uma casa situada na Rua do Jogo e que as vacas, bem como um cavalo, para lá chegarem tinham que subir, todos os dias, uma escada, com muitos degraus, passando pelo interior da própria moradia.
Por aquela altura, na Rua do Jogo, duas vezes por dia, o que mais se viam eram cavalos parados às portas das casas dos respectivos donos, depois de terem descarregado o leite no principal posto existente na Ribeira Seca, o da Lacto Açoreana, que se localizava, na Rua da Palmeira e que era conhecido como o “Posto da Tia Isidora”.
Associada ao transporte de leite por cavalos existiu, também, na Ribeira Seca a profissão de albardeiro que durante muitos anos foi assegurada pela família Couto. Lembro-me de uma tenda localizada no Canto da Cruz onde trabalhavam pelo menos quatro pessoas, o pai Manuel Couto e os filhos Manuel, Emídio e Luís.
Sabemos (nem desejamos) que o tempo não volta para trás, mas uma coisa terá de regressar, o tempo em que as vacas, como herbívoras que são, comam essencialmente erva, para bem da saúde de todos nós e da economia regional.

Teófilo José Soares Braga
Ribeira Seca e Pico da Pedra, 3 e 4 de Julho de 2010
(Publicado no jornal “A Vila”, nº 410, p.4, 1 a 15 de Julho de 2010)

terça-feira, 6 de julho de 2010

FALTA DE CIVISMO

As fotos que se apresentam abaixo são relativas a um depósito de lixos, na Ribeira Nova, detectado no passado dia 3 de Julho.

Associada à falta de civismno que parece-nos crescente está o desinvestimento na educação ambiental e não só por parte dos principais responsáveis, nomeadamente da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar.



quarta-feira, 23 de junho de 2010

A Propósito do São João da Vila: alguns apontamentos


Na toponímia da Ribeira Seca de Vila Franca, há um local que é dedicado a São João, trata-se do chamado Redondo de São João, onde existe um nicho com uma imagem que, curiosamente, não é dedicada àquele santo, mas sim a Nossa Senhora da Conceição.
Relativamente perto do mesmo, localiza-se a Ermida de São João, que terá sobrevivido à destruição de Vila Franca do Campo pelo “terramoto” de 1522. Do outro lado da estrada, localizou-se uma antiga instalação militar, o Quartel de São João.
No dia 24 de Junho, alguns habitantes da Ribeira Seca costumavam deslocar-se para o Redondo de São João e aí confraternizavam e organizavam “balhos”.
Para além do mencionado, o dia de São João era festejado, com piqueniques e “balhos” na Lagoa do Congro, sendo o principal trajecto utilizado pelos moradores, que se deslocavam a pé, de cavalo ou de carros de bois, o mencionado por Manuel de Amaral Brum, em artigo publicado no jornal “A Vila”, em 1961, o seguinte: depois de percorrido o caminho do Mato, chegava-se à Terra Corrida, subia-se o Calvário, também chamado Outeiro da Terra Corrida, na Grota das Freiras, virava-se à direita em direcção ao Pauzinho de Água e andando um pouco mais chegava-se à cancela das casas da Lagoa do Congro. Hoje, parte deste trajecto já não se pode fazer, pois com a substituição dos cavalos pelos tractores e jipes, muitos caminhos foram abandonados.
Estas tradições foram desaparecendo, lentamente, de modo a que já na década de sessenta do século passado praticamente não existiam. Apenas permanecia o hábito de enfeitar as “fontes” nas casas particulares e os fontanários públicos, como o situado na rua da Palmeira e o que existia no Canto da Ponta Garça (Sul da Rua do Jogo).
Se não estou em erro, a Câmara Municipal de Vila Franca, na década de 70 do século passado, terá começado a organizar as festas de São João, concentrando as marchas no Campo de Jogos da Mãe de Deus. Esta iniciativa foi interrompida, de modo que em 1975 foi a Ribeira Seca que não deixou cair a devoção, a São João, no esquecimento. A prova do afirmado, está escrito no seguinte texto publicado no jornal “A Crença”, de 29 de Julho de 1975:
“Eis um dia que a tradição consagra ao santo Precursor com festejos e cantorias nesta nossa Vila, mas que este ano decorreu sem o entusiasmo dos anos transactos…
Contudo, quem salvou a honra da Terra foi o lugar da Ribeira Seca, graças à esforçada dedicação dos srs. Professores do Ensino Básico daquela localidade, que não se pouparam a canseiras esgotantes para levarem a efeito as brilhantes festas de S. João que realizaram no recreio da sua Escola com três vistosas marchas populares…”
E já que fizemos referência às Escolas, deixamos aqui um dos refrões da Marcha das Escolas da Ribeira Seca de 1992, que copiei de uma folha A4 que tem a seguinte referência “Dact. – V.S.”:

Lindas ruas enfeitadas,
As colchas dependuradas,
Nas janelas e varandas!...
Passam as marchas cantando,
Tão bonitas desfilando,
Vindo de todas as bandas!
Ribeira Seca serena,
Vem para a nossa verbena,
Trazendo animação.
Lá do alto vem o fogo,
E então o povo todo,
Dá vivas a São João.

Ribeira Seca, 5 de Junho de 2010
Teófilo Braga

Publicado no jornal “A Vila”, nº 408, 1 a 15 de Junho de 2010, p.7)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Espírito Santo 2010






Apontamentos para uma história das Festas do Espírito Santo na Ribeira Seca
Há cerca de vinte anos, comecei a tirar apontamentos sobre a vida social da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo com o objectivo de tentar escrever uma monografia, sobre aquela localidade, que por afazeres diversos ficou pelo caminho.
Hoje, ao abrir uma gaveta deparei com um conjunto de sebentas com extractos de notícias de várias publicações, com destaque para a revista Phenix e os jornais A Crença, a Vila, o Sul e o Autonómico.
Atendendo a que no próximo dia 24 de Maio é dia do Espírito Santo, decidi dar a conhecer aos leitores do jornal A Vila alguns dados sobre as festividades em honra do Divino Espírito Santo que se realizaram no lugar (hoje freguesia) da Ribeira Seca.
Não temos qualquer informação acerca da data em que terão começado as festas do Espírito Santo na Ribeira Seca tal como parece não existir uma data para o começo das mesmas na ilha de São Miguel. A este propósito, Bernardino José Senna Freitas escreveu, depois de ter levantado a hipótese das mesmas terem começado em Vila Franca do Campo, que apenas poderia indicar uma data para a cidade de Ponta Delgada, apontando o ano de 1665, para a criação da Irmandade, e 1673, para a realização da primeira coroação.
A primeira data que encontramos para a realização de uma coroação na Ribeira Seca foi o ano de 1898, através de uma notícia publicada no jornal “O Sul”, de 4 de Junho daquele ano.
No ano de 1917, o império da Ribeira Seca teve uma receita de “duzentos e tantos mil reis”. Naquele ano, os responsáveis pelo império ofereceram um jantar aos presos que foi levado por pessoas daquela localidade acompanhadas pela Lira Camponesa, banda de música existente naquele local.
António Furtado Vinhateiro era, em 1919, o “despenseiro” do Império do Domingo de Pentecostes.
Em 1922, de acordo com o jornal “O Autonómico”, festejaram-se na Ribeira Seca dois impérios, o da Trindade e o de Pentecostes.
Em 1923, o senhor Manuel do Couto Medeiros, “abastado e bondoso conterrâneo”, segundo “O Autonómico”, ofereceu trezentos mil reis a cada um dos impérios da Ribeira Seca.
O senhor António Furtado Capitão era, em 1927, o depositário do império da Ribeira Seca.
No ano de 1933, era “encarregada” de um dos impérios da Ribeira Seca a senhora Maria Santa.
Em 1939, o senhor José Matias Andrade foi o responsável pelo império da Santíssima Trindade. Naquele ano, as festas foram animadas pela Fanfarra Lealdade.
Em 1961, o jornal A Vila fala na realização de um coroação, na Ribeira Seca, a qual foi acompanhada pela Banda Lealdade que terá tocado também no arraial.
No ano de 1969, o mordomo foi Manuel de Andrade e o responsável pela coroação João José Sardinha.
Em 1972, o mordomo do império da Ribeira Seca foi João José Sardinha.
No ano seguinte, 1973, o mordomo foi Álvaro José Sardinha, irmão do João José Sardinha.
Por último, deixaria aqui uma pequena nota acerca do modo como eram escolhidos os mordomos, pelos menos na década de setenta e oitenta do século passado, altura em que assisti a várias eleições.
Depois da realização da coroação no Domingo e no fim do Arraial que se realizava na Segunda-Feira, depois do Mordomo, ou de alguém por ele, apresentar as contas relativas às festas, procedia-se à escolha do Mordomo para o ano seguinte.
Esta era feita por todos os presentes, em frente ao Teatro, que caso estivessem satisfeitos com o trabalho do mordomo anterior, gritavam “Viva o Velho”. Caso contrário, ou quando o antigo não queria ou não podia continuar gritavam “Viva O Novo”, sugerindo um nome para tal que era levado em ombros até ao cimo do Teatro. Logo de seguida, realizava-se uma procissão em direcção à casa deste onde era levada a coroa e a bandeira.
Ribeira Seca, 18 de Maio de 2010
Teófilo Braga
Publicado no jornal “A Vila”, nº 407, 15 a 31 de Maio de 2010

Este ano o Espirito Santo de Pentecostes limitou-se à coroação. Não houve a chamada "despensa".

domingo, 23 de maio de 2010

Antepassados



Francisco Furtado Brum (avô de Manuel Soares)



Da esquerda para a direita: Teresa de Jesus Brum, Mariano Soares, Francelina e Francisco Soares.