domingo, 10 de outubro de 2010

O vandalismo continua


Depois do furto de parte da vedação, foi este o estado da mesma encontrado no dia 2 de Outubro.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Os Moinhos da Ribeira Seca


Desde pequeno, conheço “Os Moinhos”, localidade da freguesia da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, que se localiza no prolongamento para Norte da Rua da Cruz, pois várias vezes me deslocava com o objectivo de ir para a Ribeira Nova, onde a minha família possuía uma quinta. Nos primeiros anos, nas minhas andanças, apenas passava por quatro moinhos, entre eles, o do Sr. José Esteves, o último moleiro da localidade a moer usando um moinho de água e o da Sra. Hortênsia “Viola” que servia de moradia.
Mais tarde, andava já eu na Escola Primária quando se terá falado na existência de um sobreiro, na Ribeira da Granja, muito perto da chamada nascente do Galego. Um dia, penso que na companhia do Virgínio Carvalho, fui ver a árvore que fornecia a cortiça e que me era familiar apenas através das rolhas. No trajecto, tive a oportunidade de passar por outros moinhos, onde ainda viviam várias famílias, dois dos quais vieram a ser adquiridos por meu pai e um que pertencia a familiares da minha avó, Maria Verdadeiro.
O senhor Manuel Soares Ferreira, em 1988, no jornal “A Crença”, num artigo intitulado “Os Moinhos dos Tios (1)” mencionou a existência de 22 moinhos ao longo do curso da Ribeira Seca, desde a Granja até ao mar. Vou recorrer ao seu texto para enumerá-los de Norte para Sul, indicando, sempre que possível, o seu ocupante ou proprietário no final da década de sessenta ou princípio da de setenta do século passado.
O primeiro moinho era do moleiro Tio Joaquim, a seguir do Tio João Couto e o Terceiro do Tio Zurrão. Se não estou em erro, já não me lembro destes moinhos estarem ocupados.
O quarto moinho era do Tio Arsénio e o quinto do Tio Verdadeiro. Recordo-me de um Sr. Arsénio, quase de certeza familiar do anterior e o Tio Verdadeiro seria ou o meu tio-avô Manuel Verdadeiro ou o seu pai.
O sexto moinho era do Tio Bonecas, o sétimo do Tio Moleirinho, o oitavo do Tio Sousa, o nono do Tio Escaler, o décimo do Tio Lima, o décimo primeiro do Tio Sardinha, o décimo segundo do Tio Pacheco, o décimo terceiro do Tio Vareda e o décimo quarto do tio Parola. Não sendo possível identificar estes moinhos, por me parecerem em número superior aos que conheci, aqui ficam os nomes ou alcunhas de pessoas ou famílias que em alguns deles viviam: “Estorno”, Miguel Andrade, “Polícia”, João “Viola”, Hortênsia “Viola” e José Esteves.
Depois destes e antes da Ponte da Ribeira Seca localizavam-se mais dois moinhos, o do Tio Stº Cristo e da Viúva Andrade e, depois daquela, mais três. Num destes três, localizados perto da Ponte da Ribeira das Tainhas, adquirido por uma suíça de nome Edite, se não me falha a memória, em 1972, cheguei a pernoitar.
Depois da Ponte da Ribeira das Tainhas, existiam mais dois moinhos, um deles quase junto ao mar. Neste último, viveu durante muitos anos uma senhora de nome Leopoldina que terá dado o nome à praia existente no local.
Tal como se pode depreender através da leitura do texto, os moinhos não estavam confinados a um troço da ribeira ou ao lugar dos Moinhos, mas ao longo daquela, desde a Granja até à foz. Hoje, dos vinte e dois moinhos de água que existiram, nenhum desempenha a função para que foi construído. Apenas um moinho está a servir de moradia para uma família, estando a maioria em ruínas.
Para além dos moinhos de água, existiram, também, dois eléctricos. Um, situado na Rua Nova, que pertenceu a meu tio Manuel Verdadeiro e depois, a meu primo Ângelo Verdadeiro e o outro localizado na Rua do Jogo, hoje transformado em Museu, que pertenceu a José de Sousa.

(1) De acordo com o senhor Manuel Soares Ferreira, “Tio” era o termo usado para designar uma pessoa de mais idade.

Ribeira Seca, 29 de Julho de 2010
Teófilo José Soares de Braga

(Publicado no jornal "A Vila", nº412, 1 a 15 de Agosto de 2010)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Lixos, Furto e Droga detactados a 17 de Julho de 2010


Foi encontrada uma plantação de canabis. Foi apresentada denúncia na PSP de Vila Franca do Campo.


Cerca de 20 tábuas que estavam a separar a propriedade foram furtadas.


Este despejo de resíduos tem a particularidade de se encontrar em terreno privado, tendo o seu proprietário encontrado, a acompanhar a "mercadoria", uma guia de transporte de um conhecido comerciante de fruta da localidade. Foi apresentada queixa no SEPNA.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

No tempo em que as vacas comiam erva



Há dias li que de 30 a 50% do alimento que é utilizado pelos lavradores açorianos para manter o seu gado bovino é importado. Longe vão os tempos em que aquele era apenas proveniente das pastagens e do chamado “outono”, mistura de tremoceiros, faveiras, cevada ou aveia, se não estou em erro.
Naquele tempo, década de sessenta e início da de setenta do século XX, não se imaginava que o leite seria vendido em embalagens com a forma de um paralelepípedo. Durante largos anos eram os próprios lavradores que faziam a distribuição do leite pelos seus clientes porta a porta ou o colocavam numa mercearia que fazia a distribuição pelos seus fregueses.
Meu avô, Manuel Soares, morador na Ribeira Seca, muito antes do aparecimento das fábricas transformadoras do leite, colocava-o numa loja na Vila e ao fim do dia, quando o dono da mesma não o vendia era obrigado a recolhê-lo. Como ultrapassava o necessário para a família, era obrigado a usá-lo na engorda do porco que mantinha no curral.
Não presenciei os factos referidos no parágrafo anterior, mas assisti à fase da distribuição pelos vizinhos. Assim, lembro-me muito bem que parte do leite que as suas vacas produziam era colocado na Lacto Açoreana, fábrica existente na Ribeira Grande, e a outra, mais pequena, era para consumo próprio e para vender a alguns vizinhos, como os irmãos Maria e João Amaral e a Maria José “Maurício”.
Se hoje há quem se esforce para demonstrar que o leite dos Açores é de boa qualidade e que tem propriedades especiais, por volta de 1964, dizia-se que o leite cru, bebido logo após ter sido tirado, era remédio santo para a bronquite. Não tenho conhecimentos para confirmar ou não tal afirmação, mas uma coisa é certa, depois de beber o leite proveniente das vacas dos pais do meu ex-colega e amigo, emigrado no Canadá, António Paulo Carreiro, deixei de me apoquentar com a bronquite que me atacava desde a mais tenra idade.
Outra nota digna de registo é que o estábulo das vacas que me “curaram” a bronquite ficava no quintal de uma casa situada na Rua do Jogo e que as vacas, bem como um cavalo, para lá chegarem tinham que subir, todos os dias, uma escada, com muitos degraus, passando pelo interior da própria moradia.
Por aquela altura, na Rua do Jogo, duas vezes por dia, o que mais se viam eram cavalos parados às portas das casas dos respectivos donos, depois de terem descarregado o leite no principal posto existente na Ribeira Seca, o da Lacto Açoreana, que se localizava, na Rua da Palmeira e que era conhecido como o “Posto da Tia Isidora”.
Associada ao transporte de leite por cavalos existiu, também, na Ribeira Seca a profissão de albardeiro que durante muitos anos foi assegurada pela família Couto. Lembro-me de uma tenda localizada no Canto da Cruz onde trabalhavam pelo menos quatro pessoas, o pai Manuel Couto e os filhos Manuel, Emídio e Luís.
Sabemos (nem desejamos) que o tempo não volta para trás, mas uma coisa terá de regressar, o tempo em que as vacas, como herbívoras que são, comam essencialmente erva, para bem da saúde de todos nós e da economia regional.

Teófilo José Soares Braga
Ribeira Seca e Pico da Pedra, 3 e 4 de Julho de 2010
(Publicado no jornal “A Vila”, nº 410, p.4, 1 a 15 de Julho de 2010)

terça-feira, 6 de julho de 2010

FALTA DE CIVISMO

As fotos que se apresentam abaixo são relativas a um depósito de lixos, na Ribeira Nova, detectado no passado dia 3 de Julho.

Associada à falta de civismno que parece-nos crescente está o desinvestimento na educação ambiental e não só por parte dos principais responsáveis, nomeadamente da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar.