domingo, 29 de dezembro de 2013
sábado, 28 de dezembro de 2013
Atentado a Salazar visto pelos jornais de Ponta Delgada
Atentado a Salazar
A
4 de Julho de 1937, o Doutor António de Oliveira Salazar (1889
- 1970), presidente do Conselho de Ministros, foi
alvo de um atentado perpetrado por anarquistas, sendo o mais conhecido de entre
eles o anarco-sindicalista Emídio Santana (1906 - 1988), autor de diversos
ensaios sobre o anarco-sindicalismo e o mutualismo, que depois da queda do
Estado Novo, em 25 de Abril de 1974, foi um dos fundadores do Movimento
Libertário Português e da “Cooperativa Editora A Batalha” e diretor do Jornal
“A Batalha”, que ainda hoje se publica.
Emídio
Santana, que fugiu de Portugal por via marítima foi detido em Southampton, no
Reino Unido, e entregue à polícia portuguesa em Outubro de 1937, no seu livro
“História de um atentado: o atentado a Salazar”, publicado em 1976, relata com
pormenor o ocorrido. Na referida obra nada lhe escapa, desde a preparação até
às peripécias ocorridas depois do atentado, passando pelo ocorrido no dia.
O
jornalista Valdemar Cruz, no seu livro “Histórias secretas do atentado a
Salazar”, editado pela primeira vez em 1999 e reeditado em Abril deste ano, por
sua vez, dá-nos a conhecer os segredos da investigação policial, os falsos
autores do atentado que depois de torturados confessaram o que não fizeram e as
duas mortes que nunca ninguém explicou.
Curioso,
ou talvez não, foi o papel desempenhado pela comunicação social que, como
acontece nas ditaduras sejam elas quais forem, foi na sua maioria fiel aliada
ou porta-voz do regime, divulgando todas as mentiras que eram sopradas pela
PYDE, que obcecada com o Partido Comunista e em mostrar serviço, quarenta e
oito dias depois noticiou a prisão de cinco falsos implicados no atentado.
Em
São Miguel, a comunicação social foi unânime na condenação do atentado e na
divulgação das várias manifestações de apoio ao Doutor António de Oliveira
Salazar, embora o tema que mais preenchesse diariamente as páginas dos jornais,
sobretudo do Correio dos Açores, fosse a guerra civil espanhola, entre
republicanos e partidários de Francisco Franco, general que liderou um governo
de orientação fascista de 1936 a 1975.
Com
grande destaque na primeira página, no dia 6 de Julho de 1937, o jornal Correio
dos Açores, dirigido por José Bruno Carreiro, refere que “a notícia do atentado
contra Salazar …- causou em toda esta nossa ilha de S. Miguel, como não podia
deixar de ser – as mais profundas e as mais justas indignações” e acrescenta
“com verdade se pode dizer que este momento é uma encruzilhada da história em
que se encontram frente a frente, embora pareça um paradoxo, Portugueses
portugueses e portugueses que o não são. Para os primeiros vive
Portugal, para os segundos vive Moscovo.
A
18 de Julho, o Correio dos Açores transcreve a notícia, publicada no Diário da
Manhã oito dias antes, que menciona como culpado o “ignóbil facínora” António
Conrado Júnior e como cúmplices, “iguais facínoras de igual jaez: Francisco
Horta Catarino e José dos Santos Rocha”.
O
Açoriano Oriental, dirigido por Ferreira d’Almeida, no dia 10 de Julho de 1937
apresenta na sua primeira página um texto intitulado “Salvé Salazar! Garantia
do Império” onde são feitos elogios ao presidente do Conselho de Ministros e
são referidas as manifestações de cariz religioso e cívico de condenação do
atentado, realizadas em São Miguel.
A
28 de Agosto, o Açoriano Oriental divulga os nomes dos “autores do execrando
crime”: Jacinto Carvalho, António Pires da Silva, Aires do Ascensão Eloy, José
Hota e Manuel Francisco Pinhal. No mesmo texto são divulgadas declarações dos
investigadores, segundo os quais a responsabilidade do crime era atribuído a
organizações terroristas estrangeiras, “o partido comunista português era de
nulo valor antes da guerra em Espanha” e os seus “chefes”, José de Sousa e
Bento Gonçalves que estiveram na Rússia e receberam instruções do Komintern”
eram “de baixa categoria”.
Não
deixa de ser estranha a insistência das autoridades em atribuir a culpa aos
comunistas quando o PCP, através do jornal “Avante”, saído no final do mês de
Julho de 1937, já se havia pronunciado “contra o terrorismo individual porque
esta tática só serve os interesses da contrarrevolução – do fascismo”.
Estranho,
também, não deixa de ser o facto de os verdadeiros responsáveis pelo atentado,
opositores ao regime e ao Partido Comunista, entre os quais Emídio Santana,
Francisco Damião e Raul Pimenta, só começarem a ser presos nos últimos dias do
mês de Setembro de 1937.
Teófilo
Braga
(Correio
dos Açores, nº2983, 27 de Dezembro de 2013, p.21)
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Gente da nossa terra
Da esquerda para a direita: Emanuel Pacheco, João Pacheco, Vitor Salema
(A Vila, 13 de Julho de 1995)
(A Vila, 13 de Julho de 1995)
sábado, 21 de dezembro de 2013
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
domingo, 15 de dezembro de 2013
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
A Furna do Tetim
(A Vila, 13 de Julho de 1995)
Não nos lembramos das pessoas referidas no texto, mas contaram-nos que uma das pessoas que lá trabalhava era o pai do mestre Artur Couto. Também se dizia que a Furna chegava oa Canto da Ponta Garça, o que nos parece exagerado.
TB
Não nos lembramos das pessoas referidas no texto, mas contaram-nos que uma das pessoas que lá trabalhava era o pai do mestre Artur Couto. Também se dizia que a Furna chegava oa Canto da Ponta Garça, o que nos parece exagerado.
TB
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
domingo, 8 de dezembro de 2013
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Lagoas, Lagoeiros e Charcos de Vila Franca do Campo
Lagoas,
Lagoeiros e Charcos de Vila Franca do Campo
Não há consenso acerca da classificação das diferentes massas
de água, nomeadamente lagos, lagoas e charcos. Contudo, podemos dizer, citando
a Campanha “Charcos com Vida”, que “os charcos diferenciam-se dos lagos e das
lagoas pela sua baixa profundidade, penetração total da luz na água,
possibilidade de ocorrência de plantas em toda a sua área e ausência de
estratificação da temperatura da água e de formação de ondas”.
O concelho de Vila Franca do Campo é,
não temos dúvidas, um dos mais ricos dos Açores no que diz respeito à presença
de diferentes massas de água de dimensões diversas, às quais está associada a
beleza paisagística e a riqueza em termos de fauna e flora.
A Lagoa do Fogo, implantada na caldeira
de colapso do Vulcão do Fogo, é a única cuja área envolvente mantém, apesar de
algumas introduções voluntárias ou não, muitos exemplares da flora primitiva
dos Açores que a todo o custo devem ser preservados.
A Lagoa do Congro, assim denominada por
ter pertencido a André Gonçalves, cognominado de “o congro”, de acordo com
Gaspar Frutuoso, “por em seu tempo ser o mais rico homem da terra, como dizem
ser o congro, entre os peixes que se comem, o maior peixe do mar”, está
implantada numa cratera de explosão que se terá formado há cerca de 3 900 anos.
José do Canto (1820-1898), grande
proprietário e intelectual açoriano, amante da jardinagem e distinto botânico
amador, mandou plantar nos terrenos circundantes da lagoa matas de
criptomérias, pinheiros, eucaliptos e acácias, tendo também ajardinado a parte
sul da sua propriedade e construído uma casa de campo, recentemente demolida.
Durante muitos anos os seus
proprietários mantiveram os acessos à lagoa em muito boas condições e procediam
à manutenção de toda a área, nomeadamente da antiga mata ajardinada. Mais
recentemente a área foi sendo progressivamente abandonada, tendo-se degradado
quase por completo.
Depois de sete anos de espera, a
proposta de classificação das Lagoas do Congro e dos Nenúfares por parte da
Associação Ecológica Amigos dos Açores como área protegida foi aprovada. Assim,
em 2007, a cratera do Congro foi classificada como Área Protegida para a gestão
de habitats ou espécies (Decreto Legislativo nº15/06/2007) e no ano seguinte
parte da bacia hidrográfica foi adquirida pelo Governo Regional dos Açores.
A Lagoa dos Nenúfares, também denominada
Lagoa do Conde Botelho, localiza-se na mesma cratera da Lagoa do Congro e
encontra-se neste momento bastante assoreada e as suas margens estão cobertas
por plantas exóticas. Toda a área envolvente merecia ser alvo de trabalhos de
recuperação, nomeadamente o trilho que a bordeja e o caminho de acesso.
Localizada numa cratera de explosão
existente no Pico da Dona Guiomar, a Lagoa do Areeiro é de uma beleza
paisagística invulgar. No lado sudoeste do pico existe um mato jovem de
vegetação endémica que merecia a todo o custo ser conservado.
A Lagoinha, situada na cratera de
explosão do Pico da Lagoa, localiza-se a norte da Lagoa do Congro. Como
curiosidade regista-se a presença nas suas águas do peixe mosquito. Neste
momento, é muito difícil o acesso à mesma já que toda a área envolvente foi
replantada recentemente e encontra-se completamente coberta por vegetação,
nomeadamente silvas.
Para além destas, há a registar outras
massas de água mais pequenas como os lagoeiros do Pico do Frescão, do Pico d’El
Rei e dos Espraiados, bem como alguns charcos que antes foram usados para
bebedouros do gado bovino.
Para além do valor científico e
educativo, do valor estético e paisagístico, as massas de água constituem um
poderoso recurso turístico que não está a ser suficientemente explorado no
concelho de Vila Franca do Campo.
Há
que por mãos à obra!
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 2963, 4 Dez
de 2013, p.11)
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
domingo, 1 de dezembro de 2013
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Pelos Animais de Companhia
PELOS ANIMAIS DE COMPANHIA
"Chegará o dia em que todo homem conhecerá o íntimo dos animais. Nesse dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a própria humanidade." Leonardo da Vinci
Por iniciativa de Céu Simas e Fátima Cerqueira Rocha, promotoras do evento a nível nacional, realizar-se-ão em frente a algumas Câmaras Municipais de todo o país cordões humanos “pela adoção e esterilização- não ao abate”.
Nos Açores, o evento ocorrerá no próximo domingo, dia 24 de Novembro, pelas 15 horas, em Angra do Heroísmo, Ponta Delgada, Ribeira Grande e Vila Franca do Campo, estando prevista a entrega de um manifesto aos presidentes das respetivas câmaras e assembleias municipais no próprio dia ou em data a acordar posteriormente.
Em todos os concelhos a iniciativa é coordenada por uma ou duas pessoas ligadas ou não às associações de proteção de animais existentes. No que se refere à ilha de São Miguel não temos conhecimento da existência de nenhum membro dos órgãos executivos das associações envolvidas na organização do evento e a nível nacional sabemos que algumas associações não se quiseram envolver, alegando terem receio de “represálias” por parte das autarquias com as quais alegadamente dizem manter boas relações.
Esta atitude é, do meu ponto de vista, incompreensível, pois o cordão humano/manifestação é uma das formas que as pessoas têm, em democracia, de manifestar a sua opinião, de comunicar os seus anseios a quem de direito ou expressar a discordância com a política que está a ser seguida para com os animais de companhia.
No caso presente, para além do exposto, é também uma forma de alertar os cidadãos para a necessidade de abandonarem a passividade e participarem ativamente numa causa que cada vez mobiliza mais pessoas e uma forma de sensibilizar os autarcas recentemente eleitos. Por último, o evento pode e servirá, não tenho dúvidas, para juntar pessoas que não se conhecem, para troca de contactos com vista a futuras atuações em conjunto.
Na maioria dos concelhos será utilizado um manifesto nacional, mas em Vila Franca do Campo os coordenadores acharam por bem adaptá-lo à realidade local. Neste manifesto, entre outras medidas, defende-se:
1- A criação de um Centro de Recolha Municipal de Acolhimento e Proteção dos Animais onde os animais abandonados, errantes e em risco possam ser recolhidos, recuperados, tratados, identificados, esterilizados e encaminhados para adoção responsável, com uma política de não-abate.
2- A criação de um Regulamento Municipal de Proteção dos Animais, no qual se definam, de harmonia com a legislação nacional em vigor, normas municipais mais estritas e mais firmes de proteção dos animais, com um sistema contraordenacional e coimas correspondentes, verdadeiramente eficazes para dissuadir/punir eventuais infrações às disposições desse Regulamento e à legislação em vigor de proteção dos animais.
3- A abertura do Centro de Recolha aos serviços de voluntariado de associações e de grupos de amigos dos animais, nomeadamente aos fins de semana, de modo a garantir o acompanhamento dos animais que ali se encontrem e a poder facilitar contactos com promitentes adotantes.
Esta iniciativa, que esperamos tenha a adesão de muitas pessoas, surge numa altura em que por parte da Assembleia Regional dos Açores há uma abertura para que seja implementada uma nova política que se traduzirá na esterilização de animais errantes e no estabelecimento de “parcerias que visem uma utilização pública do espaço do Hospital Alice Moderno, em moldes que se mostrem adequados a todas as partes e que respeitem a memória da referência, neste contexto, que é Alice Moderno”
Sobre o assunto do hospital Alice Moderno, o Secretário Regional dos Recursos Naturais, em declarações à Comissão Permanente dos Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, também afirmou que “não veria problema de maior em que se tornasse um hospital público” e abordou a “possibilidade do Governo Regional efetuar algum tipo de protocolo com alguma associação”.
Pelos vistos a “bola” está do lado das associações. Quem dá um passo em frente?
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 2952, 20 de Novembro de 2013, p.16)
terça-feira, 19 de novembro de 2013
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
domingo, 17 de novembro de 2013
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Alice Moderno
ALICE MODERNO E A PROTEÇÃO DOS ANIMAIS EM VILA FRANCA DO CAMPO
Já por diversas vezes tive a oportunidade de escrever sobre o papel de Alice Moderno (1867-1946) na luta pela proteção dos animais no arquipélago dos Açores, nomeadamente na fundação e dinamização da atividade da Sociedade Micaelenses Protetora dos Animais, na denúncia persistente dos maus tratos infligidos aos animais de companhia e aos usados no transporte de mercadorias e, por último, no seu contributo, através da sua herança, para a construção de um hospital para tratamento dos animais doentes.
Numa altura em que um, ainda pequeno, grupo de vilafranquenses sensíveis à causa animal está a preparar uma ação de sensibilização com vista a minorar o sofrimento dos animais de companhia que são vítimas de maus tratos e de abandono, acabando por ir parar aos canis onde na sua maioria são abatidos, achei por bem dar a conhecer, através dos relatos de Alice Moderno, o que se passava no início do século passado e fazer o confronto com o que se passa hoje.
Começo por recordar que o jornal “O Autonómico”, que se publicou em Vila Franca do Campo, foi um grande defensor dos animais, quer saudando a criação de associações de proteção, quer exigindo o cumprimento do código de posturas municipal, quer denunciando os abusos cometidos.
A este propósito, Alice Moderno, a 13 de Outubro de 1912, denunciou no seu Jornal “A Folha” a existência “na pátria de Bento de Góis” de “um vendilhão de peixe, surdo-mudo de nascença, que espanca o pobre burro que lhe serve de ganha-pão com uma ferocidade inaudita e revoltante”. Segundo ela, que presenciou o episódio, “o pobre burro” foi alvo de “enormes bordoadas” por parte de um “ferocíssimo aborto” que estava “armado de um grosso cacete”.
Hoje, os animais de tiro quase desapareceram e com o seu desaparecimento terão acabado (?) os maus tratos de que eram vítimas e que cheguei a presenciar, na Ribeira Seca, durante a minha infância e juventude.
Ainda recentemente, tive a oportunidade e a tristeza de observar, em Água d’Alto, um cavalo que estava debilitado, fruto de um alimentação insuficiente e possivelmente de falta de tratamento veterinário adequado.
No que diz respeito ao melhor amigo do homem, o cão, Vila Franca do Campo tem, por um lado, exemplos de pessoas que têm sabido dedicar algum do seu tempo à sua proteção e, por outro, tem exemplos de gente de coração empedernido que trata os animais como se calhaus fossem.
Em 1945, Alice Moderno denunciou, no Diário dos Açores, o facto de “Vila Franca das Flores” se distinguir “pela guerra feita ao mais fiel amigo do homem, o pobre cão”.
No texto referido, intitulado “Envenenamento de um cão”, Alice Moderno menciona as denúncias que tem recebido por parte de vários vilafranquenses, entre os quais o Dr. Urbano Mendonça Dias, relativas ao “lamentável espetáculo que oferecem, expostos nas ruas, cadáveres de cães a que foi propinada estricnina por mão incógnita e impiedosa”.
Por último, Alice Moderno menciona um caso de abandono, muito comum nos dias de hoje, que mostra a crueldade de alguns e a humanidade de outros. Aqui fica o relato:
“Ultimamente deu-se mais um destes casos: um continental saiu da vila abandonando o um pobre cão que possuía.
Uma gentil criança, filha do sr. Manuel Cabral de Melo, residente na rua da Vitória, tomou o desamparado quadrúpede sob a sua proteção, e todos os dias lhe fornecia um repasto que lhe garantia a existência.
Pessoa de mau coração - parece que moradora na mesma rua e muito embora o infeliz animal fosse absolutamente inofensivo, entendeu eliminá-lo da circulação envenenando-o cruelmente com grande mágoa do seu jovem protetor, cujo excelente coração é digno de maiores elogios.
Felizmente, parece que semelhantes casos não se repetirão por muito tempo visto que no continente da República há quem esteja eficazmente ocupando dos direitos dos irracionais e do dever que assiste ao Estado de os proteger”.
Infelizmente, quase setenta anos depois, o flagelo do abandono de animais de companhia ainda não foi debelado. Até quando continuará o crime sem castigo?
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 2946, 13 de Novembro de 2013, p.16)
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
terça-feira, 5 de novembro de 2013
A SERPENTINA EM VILA FRANCA DO CAMPO E EM SÃO JORGE
Em
texto publicado, no passado dia 30 de Outubro, fiz referência à utilização das
duas espécies que têm o nome comum de serpentina. Nesta edição do jornal,
limitar-me-ei a escrever sobre a serpentina-mansa (Arum italicum), nomeadamente sobre o seu uso para o fabrico de uma
farinha na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo e nas Manadas, ilha de São
Jorge.
Na
ilha de São Jorge, a serpentina é também designada por jarroca. De acordo com
uma recolha efetuada há alguns anos pelo Centro de Jovens Naturalistas de São
Jorge, junto da família Raposos da localidade das Manadas, a soca era apanhada
nos meses de Abril e de Maio.
Depois
de colhidas as socas eram lavadas e raspadas com uma faca para retirar a “pele”
e a seguir eram moídas num moinho de carne. A polpa obtida era colocada num
alguidar com água que era mudada durante três dias. Em seguida, era escorrida e
colocada num tabuleiro até secar bem.
Para
além de ser usada no fabrico de papas, a farinha de serpentina era tida, em São
Jorge, como bom remédio para “a diarreia de pessoas e animais”.
Ainda
de acordo com a mesma fonte, a farinha de serpentina também era usada para
fazer goma, procedendo-se do seguinte modo: “Para tal, dissolve-se, em água
fria, a farinha de jarroca, junta-se água a ferver e, enquanto morna, molha-se
a roupa que se põe a secar. Ainda húmida passa-se o ferro até enxugar”.
Por
último, na mesma nota que vimos referindo e que foi da autoria da senhora Maria
José Silveira Azevedo, das Manadas, ficamos a saber que “em tempos de fome, o
povo ia pelos “biscoitos” e matas procurar a soca de jarroca e a soca de feto
para fazer farinha com que preparava uma massa que era cozida em bolos, no
tijolo”.
Na
Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, na década de 70 do século passado, alguns
homens, sobretudo camponeses sem terra, dedicavam-se à recolha da serpentina
para compensar a falta de trabalho em alguns meses do ano. Lembro-me de ver
alguns deles com sacas às costas e a deixá-las na casa da senhora Antonina
“Trovoa” que morava na rua do Jogo.
Segundo
Manuel Francisco, sobrinho de Antonina “Trovoa”, grande parte da farinha
produzida na Ribeira Seca era vendida para Ribeira Grande, presumivelmente para
Ezequiel Moreira da Silva que chegou a fazer a sua exportação para Lisboa.
Na
altura, era muito fácil encontrá-la na Ribeira Seca ou nas localidades
vizinhas, enquanto hoje a bibliografia menciona a sua abundância sobretudo na
Ribeira Chã e nos Arrifes. Nas minhas caminhadas pela ilha de São Miguel,
tenho-a encontrado um pouco por toda a parte, sendo muito fácil encontrá-la no
Pico da Pedra.
Em
conversa recente com Madalena Oliveira, moradora na rua da Cruz, na Ribeira
Seca de Vila Franca do Campo, talvez a única pessoa que ainda mantém viva a
tradição no concelho, confirmei tudo o que havia tomado conhecimento através de
diversa bibliografia consultada, a qual não incluía o livro recentemente, e em
boa hora, editado pela Junta de Freguesia da Ribeira Chã “Serpentina Uma
Tradição de Raiz”, da autoria de Teresa Perdição.
Madalena
Oliveira que, aprendeu com sua mãe, Maria dos Anjos Salema Carreiro, e sua avó,
referiu que a recolha dos rizomas é feita antes de a plantas espigarem,
sobretudo nos meses de Fevereiro e Março, mês em que obteve melhores
resultados.
Como
principais instrumentos usados na transformação dos rizomas em farinha,
Madalena Oliveira mencionou um ralador adaptado para o efeito, uma peneira de
milho, uma dorna de madeira e panas de plástico que substituíram os alguidares
de barro. Longe vão os tempos, referidos por Silvano Pereira, em 1947, em que
os rizomas eram desgastados “pela fricção contra uma pedra ou tábua de lavar”.
Numa
altura em que está difícil a vida para quem vive do seu trabalho, a recuperação
e valorização de conhecimentos e práticas antigas deve merecer o carinho de
quem tem nas suas mãos a gestão da coisa pública, a começar pelas Juntas de
Freguesia que são quem está em contato direto com as populações.
No
passado, escreveu Silvano Pereira, o fabrico de farinha de serpentina
constituiu “uma pequena indústria rural” que deu origem a “um comércio de certa
importância”. Hoje, poderá ser um complemento ao rendimento de algumas
famílias.
Teófilo
Braga
(Correio
dos Açores, nº 2940, 6 de Novembro de 2013, p.16)
sábado, 2 de novembro de 2013
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Serpentinas
SERPENTINAS
Quando
era criança as pessoas, na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, davam o nome
de serpentina a duas espécies de plantas diferentes, pertencentes à mesma
família, embora com algumas semelhanças no que respeita às suas folhas.
As
duas espécies em causa são a serpentina ou
serpentina-mansa ou serpentinhola ou jarroca ou saprintina ou jarro (Arum italicum), nativa do Sul e Oeste da
Europa, da qual se extraia uma “farinha” que era e ainda é usada na alimentação
e o jarro ou serpentina-brava (Zantedeschia
aethiopica), nativa do Sul de África, cujas flores eram e são usadas para
ornamentar as casas, igrejas ou enfeitar os caminhos aquando das procissões.
O
padre Ernesto Ferreira, no capítulo “Plantas Maravilhosas” do seu livro “A Alma
do Povo Micaelense” menciona o facto de a serpentina ser usada para prever “se
o ano agrícola será farto ou não”.
Segundo
o referido sacerdote, para chegar ao resultado final eram seguidos alguns
passos que a seguir se transcrevem:
“Tiram-lhe os aldeões a
espata, em janeiro, quando a inflorescência deve ter atingido o seu maior grau
de desenvolvimento, e o espadice dividem-no em três secções. Se a primeira,
isto é, a inferior, está bem desenvolvida, haverá muita fava; se a segunda, ou
a do meio, é que está bem desenvolvida, haverá muito trigo; e se é a terceira,
ou a superior, haverá muito milho. Se é perfeito o estado das três secções,
haverá muita fava, muito trigo e muito milho”.
Como
o mês referido é janeiro e como, de acordo com a bibliografia consultada, a
serpentina floresce nos meses de Abril e Maio, penso que o Padre Ernesto
Ferreira terá feito referência ao jarro (Zantedeschia aethiopica), que floresce
de Novembro a Junho, e não à serpentina (Arum
italicum).
Em
criança, também por várias vezes, comi as papas de serpentina (Arum italicum) cuja farinha era
produzida por algumas pessoas na Ribeira Seca, de que me lembro as duas irmãs
Almirantina “Trovoa” e Antónia “Trovoa”.
Muitos
anos depois, cheguei a ir à Ribeira Chã, a uma das famosas feiras gastronómicas
já realizada após o falecimento do Padre Caetano Flores, apenas para voltar a comer
as papas de serpentina e pouco tempo depois comprei, também na Ribeira Chã, alguma
farinha para usar em casa.
Passados
cerca de 40 anos, em conversa com o Manuel Francisco, filho e sobrinho das
pessoas mencionadas, e com meu primo José Fernando Araújo fiquei a saber que as
minhas tias Laurentina e Maria do Carmo Braga também preparavam a farinha de
serpentina e que ainda hoje há quem o faça na Ribeira Seca.
Vários
autores têm ao longo do tempo feito menção à serpentina.
Edmond Goeze, que foi diretor do Jardim
Botânico de Coimbra e que se deslocou a São Miguel, em 1866, tendo aproveitado
para levar para o jardim Botânico de Coimbra mais de 800 espécies, numa
brochura editada em 1867, atualizou uma lista de plantas herbáceas da autoria
do naturalista francês Morelet.
Da
mencionada lista fazem parte a serpentina e o jarro. Da primeira planta escreve
Goeze que da sua raiz se extrai uma ótima fécula e da segunda menciona o seu
uso para alimento de porcos.
Em
1871, Acúrcio Garcia Ramos escreve que a serpentina “é muito vulgar nos logares
frescos e húmidos que se emprega na sustentação de animaes, e de cuja raiz de
extrae uma fécula excelente”.
Por sua vez Gabriel d’Almeida, em 1893,
escreve que da “raiz” da serpentina se extrai fécula “que é empregada
geralmente no sustento dos animaes” e enquanto o jarro “serve para sustentar
porcos”.
Na
pesquisa que efetuei na Ribeira Seca, várias das pessoas contatadas afirmaram
que para alimentar os porcos, toda a planta dos jarros (caules, folhas e
tubérculos), tinha de passar por uma cozedura.
Desconheço
com quem o povo aprendeu, mas uma coisa é certa, sem o cozimento a planta seria
extremamente tóxica para os animais.
Teófilo
Braga
(Correio
dos Açores, nº 2934, 30 de Outubro de 2013, p.16)
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
terça-feira, 22 de outubro de 2013
POR
UMA MERECIDA HOMENAGEM AO
PROFESSOR
EDUARDO CALISTO AMARAL
Durante vários anos o
professor Eduardo Calisto do Amaral coordenou uma equipa de professores que foi
pioneira na integração da Escola da Ribeira Seca com a comunidade onde esta se
inseria.
De entre as inovações
introduzidas, a título de exemplo, destacamos as Festas Anuais Escolares, as
marchas de São João quando a Vila não as fez e a construção de uma “piscina”
para a aprendizagem da natação. Digno de registo foi, também, a cedência das
instalações da escola, sem exigências formais, a um grupo de jovens para a
prática da atividade desportiva.
Atendendo a que:
1-
Não aceitamos que o patrono da nossa escola
seja um professor que teve uma passagem fugaz pela mesma;
2-
O senhor professor Eduardo Calisto
Amaral foi diretor da Escola da Ribeira Seca durante muitos anos;
3-
O senhor professor Eduardo Calisto
Amaral, pelo seu trabalho, dedicação e maneira de ser marcou profundamente os
seus alunos e pela sua facilidade em se relacionar com os outros granjeou a
simpatia da comunidade que tão bem soube servir.
Nós, antigos alunos daquela escola, pais de alunos
da mesma, moradores da Ribeira Seca e Vilafranquenses espalhados pelos quatro
cantos do mundo, vimos apelar a Vossas Excelências para que revejam a imponderada
deliberação tomada há alguns anos, atribuindo o nome de Eduardo Calisto do
Amaral à escola do primeiro ciclo da Ribeira Seca.
Os primeiros signatários:
- Teófilo José Soares de Braga
- Maria Antónia Fraga
- Berta dos Anjos
Cabral Raposo
Assine aqui: http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=P2013N71081
domingo, 20 de outubro de 2013
Eleitores
ladrões
Hoje é dia de
eleições em Vila Franca do Campo e às urnas irão bons e maus cidadãos, gente
honesta e desonesta, pessoas respeitadoras do património alheio e ladrões.
Ontem, quando me
preparava para colher castanhas de uns castanheiros que tenho na Ribeira Seca,
senti umas vozes que provinham do local onde eles se encontram. Como já havia
sido ameaçado de morte por alguém que não consegui identificar e que estava a
cortar uma criptoméria que me pertencia, por prudência decidi não me aproximar
do local.
Assim, fiquei à espera
para tentar identificar os amigos do alheio. Passados alguns minutos, vi que
dois indivíduos que não têm propriedades na zona e que não consegui identificar
traziam três sacos de plástico com castanhas.
Na tentativa de
os identificar, deixei-os passar na esperança de que fossem identificados pelos
populares que normalmente se encontram no Canto da Cruz e ao fim de alguns
minutos desci até ao centro da freguesia e qual não foi o meu espanto quando os
vi entrar numa moradia na rua da Cruz.
Depois de um
deles ser identificado, fiquei a saber que é filho de “boas famílias” e que é
casado com uma senhora que também é filha de “boas famílias”.
Mas como nem
sempre o ditado “tal pai tal filho” é para ser levado à letra fiquei a saber
por uma pessoa da família que um deles era um malandro, um drogado, que vivia à
custa de dinheiro do estado e já agora, também, do meu.
Hoje, vão
comemorar a eleição do presidente da Câmara de Vila Franca do Campo, comendo as
minhas castanhas e bebendo à custa dos meus impostos.
São coisas desta
falsa democracia permissiva, onde quem não come à custa dos outros tem a vida
dificultada.
Sou roubado
pelos de cima (Estado) e sou roubado pelos de baixo que contam com a complacência
daqueles.
Teófilo
Braga
Nota- Não quero
ofender a gente honesta da rua da Cruz, mas se colocasse aqui o número da porta
era capaz de ser processado por ofender o “bom nome” que qualquer ladrão acha
que deve ter.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
domingo, 29 de setembro de 2013
domingo, 22 de setembro de 2013
sábado, 21 de setembro de 2013
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