segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O Consumo de Água


Hoje, pensamos que não haverá qualquer localidade, nos Açores, por mais remota que seja, que não tenha água de abastecimento público em casa de cada uma das famílias.

Se os trabalhos necessários para o efeito foram relativamente fáceis devido à proximidade das nascentes, o que terá acontecido com as várias freguesias do Concelho de Vila Franca do Campo, noutros casos foi empreendimento deveras complicado, como no caso de algumas freguesias da costa Norte da ilha de São Miguel, como o Pico da Pedra.

Nos primeiros séculos da presença humana na Ribeira Seca, os seus moradores água da ribeira, como se pode ler numa correição, feita a 10 de Junho de 1661, o corregedor André Lopes Pinto ficou a saber que “na Ribeira Seca e Ribeira das Tainhas se lançam imundices em logares limpos, e se lavam tripas e outras cousas, o que era em prejuízo dos moradores, por beberem água pelas ditas ribeiras”.

Mais tarde, foram construídos vários fontanários. O primeiro terá sido construído na rua da Cruz, no final do ano de 1905 ou inícios de 1906, para o uso dos moradores da localidade. Este fontanário e respectivo tanque eram também usados pelo gado bovino, o que não agradava às pessoas que também o usavam para buscar água para gasto nas suas casas. O jornal “O Autonómico”, em 2 de Março de 1929, relata o facto, alertando a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo para o descontentamento das pessoas pelo facto do local se tornar “um pouco immundo, pelos dejectos que n’elle ficam”.

Em 1933, o jornal referido anteriormente menciona a construção de uma “fonte na Rua Nova” e mais tarde, em data que não conseguimos apurar, uma no canto da Palmeira e outra no canto da Ponta Garça (sul da Rua do Jogo).

Na década 70 do século passado, apenas existiriam as fontes da rua do Jogo e a da Palmeira, bem como uns tanques, datados de 1956, na rua da Palmeira, localizados ao lado do caminho do Pico d’el Rei, para uso do gado bovino e dos cavalos que abundavam na localidade. Pelo que me lembro, estas fontes eram pouco usadas pois a maioria das casas já possuía água canalizada, o que terá ocorrido em 1964.

Ainda nas décadas de 60 e 70 do século passado, algumas pessoas, sobretudo as que tinham menos posses, continuavam a lavar a roupa na ribeira. Com o objectivo de dar melhores condições aos habitantes foram construídos uns lavadouros públicos na Estrada Nova que hoje não têm qualquer utilidade.

Com o crescente consumo de água, nos nossos dias, o desafio que se coloca é o de garantir que continue a chegar água a todas as casas em quantidade e com a qualidade necessária a garantir uma vida saudável, pelo que é urgente a protecção de todas as nascentes e o seu uso racional por parte dos consumidores.

27 de Dezembro de 2010

Teófilo José Soares de Braga


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